Marco Pessoa

Research Scientist (Embrapa).

Genomics, plant genetic resources, and breeding.

contact: marco [at] marcopessoa.com

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crowdsourcing vida ou morte

transformando cliques em ações práticas

Hoje à noite me deparei com dois posts de diferentes blogs comentando a mesma história.

O Amit Gupta, empreendedor em São Francisco, criador do Photojojo e co-fundador do Jelly foi diagnosticado há poucos dias com leucemia aguda.

Devido à sua ascendência sul-asiática, a chance de ele encontrar um doador compatível no banco de dados americano, que tem 9,5 milhões de registros, é de 1 em 20.000.

Dentre outras atitudes tomadas, ele publicou um post no tumblr, pedindo ajuda de uma forma direta:

“Algumas formas de ajudar:

  1. Se você é do sul da Ásia, receba um teste grátis por correio. Você esfrega um cotonete na sua bochecha e manda de volta. É fácil.
  2. Se você está em NY, você pode ir para este evento que meus amigos estão organizando.
  3. Se você conhece qualquer pessoa do sul da Ásia (Índia, Paquistão, Bangladesh, Nepal, Butão, Maldivas ou Sri Lanka), por favor, indiquem os links acima para elas.
  4. Organize um mutirão de testes perto de você (talvez a coisa que mais ajude). Escreva para 100kcheeks@gmail.com. Eles vão enviar kits, flyers, te dizer o que dizer, e fazer todo o processo mais convincente.”

Em resumo, o Amit pediu um esforço conjunto pra aumentar suas chances de resolver um problema imediato. Ele fez crowdsourcing pra intensificar suas chances de um transplante bem sucedido. Crowdsourcing em um caso de vida ou morte.

Um dos comentários que li a respeito disso foi do Seth Godin, diante das manifestações de apoio que começaram a pipocar online:

“The extraordinary thing about marketing is that a million people might see something or hear something or be sold something and only a thousand will actually take action. Even if it’s free.”

Num momento em que minha timeline do Facebook tá cheia de atitudes pontuais ligadas a alguma “causa”, associo outro comentário do Seth Godin em relação ao problema do Amit:

“But the support he really needs is for you to get a Q-tip, stick it in your cheek and mail it back. The process is free and you can sign up right here.”

Seth Godin até propôs transformar a ação em jogo, e ofereceu um prêmio pra primeira pessoa compatível que concretizar a doação de medula óssea.

Diante das várias “causas” que propagamos e defendemos online, que ações práticas tomamos em relação a elas? Colar qualquer coisa no nosso mural que justifique nossa defesa funciona? Essas ações tem um propósito prático e objetivo?

Usando mais uma frase, agora do Merlin Mann, e pecando pelo excesso de citações:

“Joining a Facebook group about creative productivity is like buying a chair about jogging.”


Alguém sabe se existe uma iniciativa como essa no Brasil?

O Be the Match envia kits com cotonetes pelo correio para você fazer um esfregaço de mucosa bucal. Você envia de volta e se cadastra em um registro de possíveis doadores de medula óssea, caso seja detectado que você é compatível com algum paciente na fila de transplante de medula.

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